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Posts Tagged ‘Emoção’

O termo “resiliência psicológica” surgiu na década de 1960, quando Frederic Flach, estudando sua história de vida e de outros que haviam superado grandes adversidades, emprestou-o da Física e da Medicina e passou a empregá-lo para o ser humano. Desde aquela época a resiliência tem sido atribuída a pessoas com enorme capacidade de enfrentar desafios, lidar com imprevistos e superar crises sem serem afetados negativamente por elas, ou seja, mantendo seu equilíbrio emocional e conservando sua essência.

Confesso que quando tive contato com esse termo pela primeira vez fui tomado por um certo ceticismo. Será mesmo que dá pra ser Resiliente o tempo todo? Essa qualidade é inata ao ser humano ou pode ser desenvolvida?

Tenho lido bastante a respeito do assunto e tenho procurado alguns exemplos atuais de possíveis resilientes. A sensação que tinha até estudar mais profundamente o assunto, era que essas pessoas eram perfeitas e que eram sempre resilientes. Mas notei que essa qualidade pessoal além de poder ser desenvolvida, também ocorre gradualmente e nem sempre podemos ser resilientes em tudo. É possível que uma pessoa resiliente também se deprima, se decepcione e tenha seus momentos obscuros. Mas o que faz a diferença nessas pessoas é a capacidade em voltarem ao seu estado original. Suas experiências negativas não influenciam o seu presente. São capazes que julgar os acontecimentos baseadas em seus valores e príncipios e não na opinião alheia ou fatores externos.

O especialista no assunto George Souza Barbosa, diretor científico do Instituto de Pesquisas e Desenvolvimento Pessoal – ALIANÇA, explica: “Tenho defendido que ela é um atributo inato do ser humano, porém necessita da intervenção externa para sua maturação. A mesma coisa que acontece com a capacidade de ser alfabetizado. Está lá, no entanto, necessita haver uma intervenção sobre ela para sua potencialização.”

De acordo com o que eu li até agora, o momento ideal para se desenvolver a resiliência é na infância, mas os adultos ainda podem ter esperança. Um ótimo exemplo disso é a velocista Ádria Rocha, 29 anos, a maior estrela do universo das paraolimpíadas, com uma coleção de medalhas de ouro e prata. Ela garante que se torna mais resistente a cada dia. Filha de um pedreiro e de uma costureira, Ádria e outros três irmãos, entre nove, têm retinose pigmentar, doença que atinge a retina e pode levar à cegueira. Mineira de Nanuque, a atleta conta que enxergava minimamente e que amargou a discriminação de professores e de colegas por causa da dificuldade de aprender. Superou o drama ao encontrar sua expressão no esporte. Já havia se destacado nas Paraolimpíadas de Seul, quando, aos 15 anos, se deparou com uma gravidez precoce. Casou e abandonou as pistas por exigência do marido. Aos 18 anos, mais problemas: ficou completamente cega. A nova realidade fez com que Ádria juntasse forças para se separar e voltar aos treinos. Sem patrocínio, sustentava a filha, Bárbara, vendendo bilhetes de loteria nas ruas de Belo Horizonte. Títulos e medalhas vieram um atrás do outro, até conquistar o primeiro lugar no ranking mundial. Ela detém o recorde de 12 minutos e 34 segundos nos 100 metros rasos, obtido em 2000, em Sydney. “Se ficasse choramingando, usando como desculpa a falta de dinheiro, de visão e de marido, com certeza não chegaria a lugar algum”, diz. Quem ouve a história de Ádria imagina que seja a mulher-maravilha. Não é. Ela desmoronou no ano passado, ao sofrer uma contusão no joelho e uma cirurgia. “Tive medo de não conseguir mais correr”, revela. Para essas pessoas especiais, porém, um empurrão basta. No caso da atleta, veio da fisioterapeuta Vanda Sampaio. “Ela me acompanhou nos exercícios e me ajudou a recuperar a autoconfiança.”

Uma das principais especialistas em resiliência, a psicóloga Cenise Monte Vicente explica que, para desenvolver essa capacidade, nós precisamos encontrar apoio – mesmo que pequeno – e sentir que alguém acredita em nós. A importância de cercar-se de bons amigos deve ser sempre lembrada nessas horas. A esposa ou marido também tem um fator determinante. É claro que se dependermos exclusivamente desse apoio temos uma boa chance de nos frustrar. Pois quantas vezes você buscou apoio para alguma idéia brilhante, ou um novo projeto e não encontrou ninguém para apoiá-lo?

A minha opinião é que se temos um objetivo claro para nossas vidas, ou melhor, se possuímos nossa própria missão de vida, definindo onde estou e onde quero e posso chegar profissionalmente e pessoalmente, fica muito mais fácil superar as crises e desafios diários. Acredito que quando há um propósito maior por trás de tudo que fazemos conseguimos encontrar a verdadeira motivação ,ou seja, nosso motivo para agir.

Eduardo Carmello revela que as pessoas resilientes possuem cinco características que os ajudam a buscar oportunidades em meio aos problemas: proatividade, positividade, flexibilidade, capacidade de manter sempre o foco em mente e sempre se organizar diante de uma situação complexa. “São pessoas que sabem que não podem impedir a desestrutura, mas conseguem dominar a situação, agindo rapidamente com consistência”.

E você? Se considera uma pessoa resiliente?

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